sexta-feira, 29 de novembro de 2013
Chega de feijão - por Douglas Fersan
Hoje não tem feijão.
Para que feijão? Queremos néctar, queremos sangue (do bom), queremos a alegria dos burgueses e a resistência dos proletários.
Hoje não tem feijão.
Detesto feijão. Prefiro filé filosófico fatiado em fartas porções folhadas e servidas acompanhadas de fernet, que mesmo amargo é menos fútil que feijão.
Chega de feijão. Sejamos adeptos do hamburguer estadunidense, gorduroso, esbanjando lipídios imperialistas, aculturando povos ameríndios e enchendo o mundo da graça tecnológica que nos dá a falsa ilusão de um mundo sem perspectiva, kafkaniano, chapado, com a aparência de um minecraft em 3D.
Para que feijão em um mundo que necessita mais de futilidades do que de alimentos?
Que o povo morra à míngua, dizem os burgueses. Ainda temos sua carcaça para pendurar no curtume e produzir bolsas de couro.
Enquanto houver pobre haverá couro a ser castigado e a ser explorado.
Dane-se o feijão. Viva a possibilidade de explorar quem morre por falta dele.
Um brinde à lógica medíocre do burguês.
Douglas Fersan
.'.
Assinar:
Comentários (Atom)
