sábado, 24 de janeiro de 2015

Thank U - Alanis Morissete



Que tal nos livrarmos desses antibióticos?
Que tal parar de comer quando eu estiver cheia?
Que tal aquelas cenouras imaginárias à frente incentivadoras?
Que tal aquele comentário habitual alusivo ao sucesso?

Obrigada Índia
Obrigada terror
Obrigada desilusão
Obrigada fragilidade
Obrigada consequência
Obrigada, obrigado silêncio

Que tal eu não te culpar por tudo?
Que tal eu aproveitar o momento uma vez?
Que tal o ótimo prazer de finalmente te perdoar?
Que tal lamentar tudo de uma vez?

Obrigada Índia
Obrigada terror
Obrigada desilusão
Obrigada fragilidade
Obrigada consequência
Obrigada, obrigado silêncio

O momento na qual deixei tudo para trás foi
O momento na qual tive mais do que podia suportar
O momento na qual pulei fora foi
O momento na qual eu tive mais firmeza

Que tal deixar de ser masoquista?
Que tal recordar sua divindade?
Que tal berrar sem ter vergonha?
Que tal não encarar a morte como o fim de tudo?

Obrigada Índia
Obrigada providência
Obrigada desilusão
Obrigada vazio
Obrigada clareza
Obrigada, obrigado silêncio

domingo, 28 de dezembro de 2014

Eu estou cansado - por Douglas Fersan


Eu estou cansado.
Mas não é de não poder falar palavras. É de não ter disposição ou coragem para dizê-las.
Eu estou cansado, mas não desses dez anos passados, vividos entre o sonho e o som.
Estou cansado é de uma vida passada somente entre sonhos e sons.
Não estou reclamando da idade, nem sei se quero a longevidade das Dercys e dos Nyemaiers. Quero a intensidade. Não reclamo das enfermidades que vivi nesse ano (e que não foram tantas, mas foram sérias). Reclamo de me sentir só e impotente diante delas.
Não reclamo das minhas lágrimas, pois não lembro de tê-las derramado - talvez devesse ter me rendido a elas, provavelmente hoje estaria mais leve. Reclamo de descobrir que mesmo quem eu jurava as secaria me confessou que acredita que homem não chora.
Eu estou cansado, mas não reclamo das dores, reclamo da incompreensão. Reclamo quando minhas dores são minimizadas justamente por aqueles a quem dediquei e dedico - e ainda dedicaria - tanto zelo.
Não sou altruísta nem santo. Sou um ser que quer ser normal, e que justamente por ser assim, esperava que as coisas seriam diferentes.
Eu reclamo quando vejo que sobra tanto amor e paciência e, talvez por consequência, falte um tanto para mim.
Mas eu reclamo demais, eu falo demais, eu sofro demais - ah, isso eu faço muito bem - e me canso demais também.  Demoro a cansar, mas um dia eu canso... e tenho medo do meu cansaço, pois ele transcende o convencional. É um cansaço cósmico, anti-convencional, mas pesa como uma cruz de peroba nas costas.
Não quero me cansar. Não quero reclamar. Quero andar - ah, como tenho sentido falta disso, mas não estou inerte por vontade própria, embora alguns pareçam não entender isso - quero cantar, quero saravar, quero jogar flores no mar e acender velas na cachoeira. Quero educar, quero produzir, quero ter sucesso no que faço, quero ser respeitado e acima de tudo, não quero ser minimizado, pois é justamente disso que estou cansado... por demais.

Douglas Fersan
.'.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Feliz natal - por Rita Lee


Juro que eu tento, mas todo fim de ano me rebelo. Do Natal, apesar da mortandade dos perus, gosto dos enfeites, das luzinhas, dos presépios. Mas esse negócio de ser obrigado a dar presentes me faz ter uma recaída naquele meu fracassado personagem hippie-comunista-anti-vietnã. Tenho pavor do papai nœl, também conhecido como Santa, velho suadāo vestido de vermelho-menstruação que põe criança no colo e só presenteia as 'boazinhas'. Para mim esse cara tem um pé na pedofilia. Ainda por cima leva dos pais o crédito pelos mimos e rouba a cena do menino Jesus.
Feliz Natal...Pow!

sábado, 22 de março de 2014

Há quem goste de cicuta, mesmo sabendo os efeitos colaterais - por Douglas Fersan



Eu sempre digo que prefiro uma democracia podre a uma ditadura maquiada. Realmente os militares não rasgaram a lei, afinal eles elaboraram as suas próprias leis (vide a Constituição do regime militar e o AI-5). Para eles, matar, torturar, sequestrar, censurar era constitucional. Não estou defendendo X ou Y, até porque não sou partidário de ninguém, mas ultimamente parece que as pessoas estão jogando o conhecimento histórico fora em prol da modinha de se exigir um Estado de exceção. Como 99% dos brasileiros quero o fim da corrupção, seja de qual partido for (inclusive é bom atentar que ela não vem só de um partido, assim como o mensalão do PT foi a juri, o do PSDB que é bem anterior também deveria - sempre que houver culpados deve haver punição no maior rigor da LEI, seja para o PT, seja para o PSDB ou até para a PQP). Mas o que as pessoas parecem não entender é que o caminho para um Estado ilibado não passa necessariamente por uma ditadura, até mesmo porque o regime militar foi altamente corrupto. Ah, mas não existiam denúncias de corrupção naquele período... Claro que não, afinal a censura reinava sobre os meios de comunicação. Será que esqueceram disso? E quem seria louco de denunciar e falar abertamente a sua opinião sobre o assunto como fazemos hoje, inclusive usando o facebook como instrumento?
Vale lembrar também que muitos dos que defenderam avidamente o regime militar foram depois perseguidos por ele. Infelizmente parece que as pessoas perderam noção do que é uma ditadura ou realmente as aulas de história estão deixando a desejar.

Douglas Fersan
.'.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Chega de feijão - por Douglas Fersan


Hoje não tem feijão.
Para que feijão? Queremos néctar, queremos sangue (do bom), queremos a alegria dos burgueses e a resistência dos proletários.
Hoje não tem feijão.
Detesto feijão. Prefiro filé filosófico fatiado em fartas porções folhadas e servidas acompanhadas de fernet, que mesmo amargo é menos fútil que feijão.
Chega de feijão. Sejamos adeptos do hamburguer estadunidense, gorduroso, esbanjando lipídios imperialistas, aculturando povos ameríndios e enchendo o mundo da graça tecnológica que nos dá a falsa ilusão de um mundo sem perspectiva, kafkaniano, chapado, com a aparência de um minecraft em 3D.
Para que feijão em um mundo que necessita mais de futilidades do que de alimentos?
Que o povo morra à míngua, dizem os burgueses.  Ainda temos sua carcaça para pendurar no curtume e produzir bolsas de couro.
Enquanto houver pobre haverá couro a ser castigado e a ser explorado.
Dane-se o feijão. Viva a possibilidade de explorar quem morre por falta dele.
Um brinde à lógica medíocre do burguês.

Douglas Fersan
.'.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Letras que são poemas: Vampiro (Jorge Mautner)


Eu uso óculos escuros
pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem par ao meu lado
aí as lágrimas começam a correr
Eu sinto aquela coisa no meu peito
eu sinto uma grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro
que nunca vai ter paz no coração

Às vezes eu fico pensando
porque é que eu faço as coisas assim
a noite de verão, ela vai passando
com aquele seu cheiro louco de jasmim
Eu fico embriagado de você,
eu fico embriagado de paixão
No meu corpo sangue não corre não
corre fogo e lava de vulcão

Eu fiz uma canção cantando
todo o amor que eu sinto por você
você fica escutando impassível
eu cantando do teu lado a morrer
e ainda teve a cara de pau
de dizer naquele tom tão educado
"Oh, pero que letra más hermosa
que habla de un conrazón apasionado"

Por isso é que eu sou um vampiro
e com meu cavalo negro eu apronto
e vou sugando o sangue dos meninos
e das meninas que eu encontro
por isso é bom não se aproximar
muito perto dos meus olhos
senão eu te dou uma mordida
que deixa na sua carne aquela ferida

Na minha boca eu sinto
a saliva que já secou
de tanto esperar aquele beijo
ah, aquele beijo que nunca chegou
Você é uma loucura em minha vida
você é uma navalha pros meu olhos
você é o estandarte da agonia
que tem a lua e o sol do meio dia...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Chove o quanto tem que chover, dói o quanto tem que doer - Douglas Fersan



Chove tanto, mas sinceramente isso não me importa.
Importa a quantidade de água que cai do céu enquanto tanta água escorre pelos nossos rostos sem destino, mas não sem razão?
Eu olho para o céu e as nuvens não me incomodam. Que mal pode fazer uma nuvem diante do mal que fazemos e sentimos?
Realmente eu queria escrever uma mensagem de esperança e fé, mas de que adianta se elas soarem vazias, ocas e fúteis?
De que adianta minha voz soar doce para tantos se ela não consegue expressar tudo que eu sinto?
Como encarar as crianças, educá-las, se não estou c om vontade de sorrir para elas? Que esperança dar a elas se estou tão amargo?  Estarei realmente sendo útil naquilo que faço e acredito?
São tantas perguntas sem respostas e tantas respostas sem perguntas que não sem por onde começar e por onde terminar.
Mas o aspirador de pó está quebrado, Keith Richards completou 69 anos e I can't get no satisfaction apesar apesar do clima tropical.

Douglas Fersan
19/12/2012